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Deficiências: INTELECTUAL

5. DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Deficiência intelectual é a designação que caracteriza os problemas que ocorrem no cérebro e levam a um baixo rendimento, mas que não afetam outras regiões ou áreas cerebrais.

5.1- Quem pode ser considerado deficiente Intelectual?

“Todas as pessoas que tenham um QI abaixo de 70 e cujos sintomas tenham aparecido antes dos dezoito anos considera-se que têm deficiência intelectual.” - Paula Romana.
Segundo a vertente pedagógica, o deficiente intelectual será o indivíduo que tem uma maior ou menor dificuldade em seguir o processo regular de aprendizagem e que por isso tem necessidades educativas especiais, ou seja, necessita de apoios e adaptações curriculares que lhe permitam seguir o processo regular de ensino.

5.2- Graus de deficiência Intelectual:

Embora existam diferentes correntes para determinar o grau desta deficiência, são as técnicas psicométricas que mais se impõem, utilizando o QI para a classificação desse grau.
O conceito de QI foi introduzido por Stern e é o resultado da multiplicação por cem do quociente obtido pela divisão da IM (idade mental) pela IC (idade cronológica). Esta deficiência divide-se:

5.2.1-Profunda:

•Grandes problemas sensório-motores e de comunicação, bem como de comunicação com o meio;
•São dependentes dos outros em quase todas as funções e atividades, pois os seus handicaps físicos e intelectuais são gravíssimos;
•Excepcionalmente terão autonomia para se deslocar e responder a treinos simples de autoajuda.

5.2.2- Grave/severa:

•Necessitam de proteção e ajuda, pois o seu nível de autonomia é muito pobre;
•Apresentam muitos problemas psicomotores;
•A sua linguagem verbal é muito deficitária – comunicação primária;
•Podem ser treinados em algumas atividades de vida diária básica e em aprendizagens pré-tecnológicas simples;

5.2.3- Moderado/média:

•São capazes de adquirir hábitos de autonomia pessoal e social;
•Podem aprender a comunicar pela linguagem oral, mas apresentam dificuldades na expressão e compreensão oral;
•Apresentam um desenvolvimento motor aceitável e têm possibilidade para adquirir alguns conhecimentos pré-tecnológicos básicos que lhes permitam realizar algum trabalho;
•Dificilmente chegam a dominar as técnicas de leitura, escrita e cálculo;

5.2.4- Leve/ligeira:

•São educáveis;
•Podem chegar a realizar tarefas mais complexas;
•A sua aprendizagem é mais lenta, mas podem permanecer em classes comuns embora precisem de um acompanhamento especial;
•Podem desenvolver aprendizagens sociais e de comunicação e têm capacidade para se adaptar e integrar no mundo laboral;
•Apresentam atraso mínimo nas áreas perceptivas e motoras;
•Geralmente não apresentam problemas de adaptação ao ambiente familiar e social.

5.3- Intervenção Pedagógica

No desenvolvimento de um indivíduo deficiente intelectual, deparamo-nos com várias dificuldades, sendo elas:•Psicomotoras;
•Sensoriais;
•Nas relações sociais;
•De autonomia;
•De linguagem.
No momento de planificar qualquer intervenção educativa, devemos pensar nessas dificuldades e, consoante às possibilidades e limitações de cada indivíduo, estabelecer o programa mais adaptado.
Além de conhecer o estado geral do seu desenvolvimento e as dificuldades específicas apresentadas, deveremos atender também às capacidades de aprendizagem de cada um, para evitar que os objetivos educativos não sejam nem demasiado exigentes, a ponto de o aluno não poder atingi-los, nem tão simples, que não favoreçam ao máximo o desenvolvimento das suas potencialidades.
•Em primeiro lugar, a criança deficiente tem dificuldade em estruturar as suas experiências.
A aquisição de capacidades perceptivo-motoras não terá a mesma significação que têm para a maioria dos indivíduos da sociedade a que pertencem.
•É difícil comunicar com estas crianças porque, por um lado, teremos de entrar no seu mundo de objetos e representações e, por outro, no mundo das pessoas normais existe um campo de experiências que estão fora do alcance da criança deficiente.
Esta dificuldade para estabelecer comunicação faz com que o tipo de educação que lhes damos, deva basear-se numa série de estratégias que permitam educar a percepção, motricidade e linguagem e que consistirão no treino da capacidade para efetuar as diferenciações e as estruturações necessárias para que as aprendizagens escolares possam revestir-se de significado para a criança e possam chegar a ser objetos, ou seja, possam fazer parte não apenas do seu meio ambiente mas também do seu próprio meio.
•A criança deficiente intelectual não possui determinados meios para poder afirmar-se como pessoa e, por conseguinte, está sujeita a não ser respeitada e a ser tratada, por vezes, como um objeto. Para isso, contribui uma série de fatores que passaremos a referir: os pais não devem deixar que a criança não faça nada, pois isso prejudica o desenvolvimento da sua autonomia pessoal; outro aspecto em que é preciso ajudar é na integração do seu esquema corporal, pois se não conseguir compreender os termos que simbolizam as relações espaciais, não poderá compreender os sistemas convencionais que regulam a vida social e viverá à margem desta e muitas ocasiões.
• A atitude perante o deficiente intelectual deve ser sempre de aceitação da sua pessoa tal como é; esta atitude deveria ser adotada por toda a sociedade, mas muito especialmente por pais e educadores.

5.3.1- A Educação Pré-escolar:

Antes da integração da pessoa deficiente intelectual na escola, é necessário ter em conta os seguintes parâmetros:
•Atuação pedagógica orientada:
•Estimulação e motivação para a aprendizagem e para atividades relacionais;
•Educação sensório-motora e psicomotora;
•Treino de autonomia e hábitos de higiene;
•Educação rítmica;

5.3.2- A Educação na Escola

A educação no período escolar deve investir no desenvolvimento de todas as potencialidades da criança deficiente, com o objetivo de a preparar para enfrentar sozinha o mundo em que tem de viver.
Neste sentido, devem ser favorecidas todas as atividades que a ajudem a adquirir as capacidades necessárias para se desenvolver como ser humano:
•Sociabilização;
•Independência;
•Domínio do corpo;
•Capacidade perceptiva;
•Capacidade de representação mental;
•Linguagem:
•Afetividade
•Iniciação à comunicação social;
•Educação verbal elementar.